sexta-feira, 2 de agosto de 2013

"se o"


Sei bem o que te provoca e se o

teu olhar me percorrer em rio,

sabes que dentro de mim te são

lavas, as margens da tua mão.

sexta-feira, 28 de junho de 2013




Fim de dia

Pousas-me na pele
como a luz tardia,
sedenta de mel,
cansada do dia...

e eu sou dilema,
flor em cio tardado,
beijo de cinema
já inesperado

-

sobra na janela
a cena final:
contra a luz da vela,
o "fim" essencial.

sexta-feira, 12 de abril de 2013



aconchego



aconchega-me os lençóis

cobre-me, não tenho medo do escuro

porque agora somos dois...


-

diz-me que também dóis,

o teu corpo é a cama onde me curo,

só o sabem os lençóis...

quinta-feira, 11 de abril de 2013


murmúrios


sobe-me um verso
(pelo corpo)
em repercussões de cantos
heróicos.
escrevo-te ao ouvido
o poema enaltecido
e os nossos braços
-dióicos-
e as nossas ancas
-rimas-
são leituras
que nos perpetuam:
obras-primas.

sábado, 16 de março de 2013

réplicas



sou uma fenda quente
no corpo atento do teu fim de dia,

um vislumbre de magma
ao crescendo da força desenhada
na pele adocicada do abraço.

ainda a seda do momento não me despe
e já me cobre a tua noite,
em descendo, em descendo...

num voo de asas prometidas
ao abismo.

vejo estrelas entre os cílios
e os teus olhos,
e os teus dedos
são cadências de orvalhos
que me aquentam
antes da morte pequena

antes das réplicas breves

no hemisfério onde o sol se vai deitar.

fome




enquanto me sorris
há um fruto nos teus ramos
a madurar carmins
e a querer-me a boca proibida
-
encanto a serpente e me condeno:
quero voltar à terra prometida.

segunda-feira, 11 de março de 2013

se de

se de gotas me sustento

molho um beijo nos teus lábios
e sabes-me a águas que não conheço
-
tenho sede
tenho sede
e dessa sede vivo
quando peço:

aproxima de mim esse cálice
que quero morrer por ti.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013



retalho

penteio os fios dos teus cabelos com os meus olhos e tropeço, sem querer, no teu olhar: caem-me as pálpebras, em desiquilíbrio inesperado, e tu seguras-mas, na curva dos teus lábios em abraço transversal. é um momento, é o momento de te guardar - desço-te ao peito, fazes-me bem, o tempo é estreito e o céu também.