terça-feira, 31 de maio de 2011



DISPO-ME, POR PUDOR...

O teu corpo mostra-se,
em volúpia que iguala
a luxúria de sedas
e de pesados veludos...

Em descarada afronta,
tomas-me a mão
e fazes-me crer
na riqueza ostensiva,
na solidez do teu ceptro,
no brilho atractivo da tua pele,
quente, perfumada,
ungida de preciosos óleos
afrodisíacos...

Eu,
humilde na minha condição
de serva do meu senhor,
humilhada
pelos meus pobres andrajos,
dispo-me, por pudor...

terça-feira, 17 de maio de 2011




SOL(itude)





Um sopro de sol

é o que sinto

do beijo que em mim guardaste

há tanto tempo

como calor que fica

sozinho

sem as brasas que o amaram

ao vivo

ou a cores que o pintaram

perfeito.


sexta-feira, 6 de maio de 2011



Plagia-me, meu amor...

De tudo o que eu disser,
usa e abusa, repete
o eco dos meus sentidos,
copia os versos gemidos
do prazer que eu retiro
num beijo de te inspirar...
Plagia-me, meu amor,
reescreve o que eu te deixo
na pele gravada a poesia,
arrepio, maresia,
e se escrevo o meu afago
em barco de papel ao largo,
imita-te mar, vento e espuma,
segue o vaivém do meu corpo,
vela tanta, luz nenhuma,
segue-me cego e a par...
Plagia-me, meu amor,
que o amor não é mais que plágio
em busca da rima certa
que falhou à inspiração:
naufrágio.