terça-feira, 22 de novembro de 2011

Esquecimento


escapo-me entre os teus dedos,
numa fluidez de pele incandescente
enquanto o meu beijo desce
e o desejo cresce
e o teu corpo esquece
o que a boca não diz.
nem é preciso.
sei que és feliz.

sábado, 24 de setembro de 2011


VINDIMA


Vinhas...
e as uvas tensas do mosto
quente,
maduras ao toque intenso
nosso,
e o vinho que escorria
doce,
sagrava de mel a cama
rubra
dos lençóis que desfolhavas
na apanha...




(da paixão)


a entrega faz-se
no egoísmo da pele.
nada de profundo
há nos sonhos:
os dedos não prendem
as areias dos momentos,
os beijos não gravam
as pedras dos sentimentos,
e o amor, ah, o amor!,
o amor é sede que queima,
nunca repleção serena
de chuva mansa
sobre a seda dos corpos
em fusão.
e breve, tão breve,
é a incandescência do tempo
se só nos move a paixão...

sábado, 6 de agosto de 2011


FRONTEIRAS ÍNTIMAS


Cada poro do teu corpo me responde
quando passo, em beijo quente e voo breve,
as fronteiras íntimas que dividem
dois desejos: o meu onda, o teu rochedo...

E molho-te de sede essa vontade
de me seres rítmico investir,
recuo, engulo, cerco e morro em espuma,
deslizo-te e desenho-te as texturas.

Cada areia que tece o nosso leito
é agora fogo aceso que nos traga
e nos queima em crescente de marés
até à doce erosão da inconsciência...

terça-feira, 31 de maio de 2011



DISPO-ME, POR PUDOR...

O teu corpo mostra-se,
em volúpia que iguala
a luxúria de sedas
e de pesados veludos...

Em descarada afronta,
tomas-me a mão
e fazes-me crer
na riqueza ostensiva,
na solidez do teu ceptro,
no brilho atractivo da tua pele,
quente, perfumada,
ungida de preciosos óleos
afrodisíacos...

Eu,
humilde na minha condição
de serva do meu senhor,
humilhada
pelos meus pobres andrajos,
dispo-me, por pudor...

terça-feira, 17 de maio de 2011




SOL(itude)





Um sopro de sol

é o que sinto

do beijo que em mim guardaste

há tanto tempo

como calor que fica

sozinho

sem as brasas que o amaram

ao vivo

ou a cores que o pintaram

perfeito.


sexta-feira, 6 de maio de 2011



Plagia-me, meu amor...

De tudo o que eu disser,
usa e abusa, repete
o eco dos meus sentidos,
copia os versos gemidos
do prazer que eu retiro
num beijo de te inspirar...
Plagia-me, meu amor,
reescreve o que eu te deixo
na pele gravada a poesia,
arrepio, maresia,
e se escrevo o meu afago
em barco de papel ao largo,
imita-te mar, vento e espuma,
segue o vaivém do meu corpo,
vela tanta, luz nenhuma,
segue-me cego e a par...
Plagia-me, meu amor,
que o amor não é mais que plágio
em busca da rima certa
que falhou à inspiração:
naufrágio.

quarta-feira, 23 de março de 2011

(gustav klimt)


INDELEBILIDADES


Há inscrições tuas
no céu da minha boca,
máximas de amor
elevadas a beijo
em língua de universal
entendimento -
gravadas a fogo húmido
de sensorial
juramento.

Indelével
é a marca do teu corpo
a moldar-me por dentro
e da tua mão a guiar-me
na leitura das estrelas
do nosso firmamento...





quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Cumplicidades


Sabia-te o bater do coração
pelo beijo que me trazia a noite...
e os teus passos, entre a-medo e afoitos,
sabiam o tremor da minha mão.

Sabia-te a paixão que te movia,
e o brilho que guardavas nos teus olhos...
surgias em desejo, e entre meus folhos
colhias o corpo que te of'recia.

Então, cúmplice, a noite se deitava
dobrando sobre si a escuridão-
lençol que por pudor nos resguardava...

Sei agora que cada madrugada
era a noite desleixando a atenção,
p'lo dia já decerto apaixonada.