terça-feira, 20 de abril de 2010

MEDO
Se o medo vier, que seja corcel
De invisível porte e de amável brio,
Que me seja fuga, e não desafio,
Porque à própria vida me quero fiel!

Além do temor, acima dos ventos,
Solto-me amazona de heróicos sonhos,
E nem chispas d'olhos ou cerrar de punhos
Me fazem perder dos meus sentimentos!

Se o medo vier, mais alto e mais forte
Do que eu, esmagada nas rodas dentadas
Que rangem murmúrios de antigas dores...

Que seja eu mais nobre que a mísera sorte
De quem se armadilha com forças roubadas
Porque de si próprio não colhe valores!

Sem comentários:

Enviar um comentário