sexta-feira, 23 de abril de 2010


PALAVRA DE TOQUE

Fui-te deixando pistas,
em palavras derramadas,
uma a uma,
nos concilios suspensos
das tuas indiferenças.
De todas elas, desdenhavas o peso,
mal-calculavas o valor,
e assim as ias atirando,
como pedras imponderáveis,
ao charco estagnado do teu desprezo.
Os teus gestos,
pouco a pouco,
mecanizaram a rotina,
desvalorizaram o poder do toque,
traíram o reconhecimento
e banalizaram a resposta.
Quando eu te atirei a palavra
-a palavra de toque-
o ritmo que havias imposto à reacção,
não te permitiu reconhecê-la.
E lançaste-a borda fora de nós mesmos,
em total desconsideração de sentido.
Só quando me viste emergir com ela,
renascer dela
-da palavra de toque-
me choraste a perdição-
e te afundaste.

1 comentário:

  1. Olá Teresa
    Não sei como vim ter aqui...mas a verdade é que gostei do seu blogue!
    Gosto muito da maneira como escreve!
    E afinal até somos quase "vizinhas"...

    Bjs dos Alpes

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