sexta-feira, 15 de janeiro de 2010


CONFESSO QUE NÃO VIVI!


Confesso que não vivi!
Em remissão, aqui me curvo,
Genuflexo nas águas turvas
E esqueço o que submergi
(por quê ver os resíduos do fundo?...),
Não me cura o que eu já sofri!...


Confesso que não vivi...
Algemei-me em medos impuros,
Vendi-me por tréguas seguras
(e nem foi da dor que fugi!...),
Condenada a instantes vorazes
A paz foi-me só álibi!


Confesso,


Confesso que não vivi...
Não arrisquei sequer ser feliz
Não ousei ser meretriz,
Não matei nem reagi...
(peco só por acusada
de culpas que não cumpri!...)

Pecadora, me confesso,
Do crime que cometi:
Ter tido como carrasco
A vida que não vivi!...

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010


MAL-BEM-ME-QUER


Vieste incerto,
na dúvida do amor
que o vento levou...
(e eu tão perto!...)

Passaste e o canto
que te chamou,
trouxe, indeciso,
o certo encanto
que eu preciso...
Já não vens cedo,
mas nas minhas pétalas
resta ainda cor...
(não tenhas medo!...)
Vens devagar,
com as mãos em gesto
de me colher
e desfolhar
um malmequer...
E se eu tiver
De sacrificar-me,
pétala por pétala...
(mal-bem-me-quer...)

Que seja assim,
Pra te provar
Que o amor existe
Além do esgar
Onde te feriste...

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

FLOR DE PAIXÃO




Vem...

Desfolha-me


Assim,

Pétala por pétala,


Lança

Ao vento o depois,

Agora


É tempo de nós os dois...




Vem...

Despoja-me


Sem pudor

Das minhas sépalas,

Toma


O que resta de meu.

Enfim,

Sou teu fértil gineceu...