quinta-feira, 28 de maio de 2009

OLHOS-NOS-OLHOS



Sou cativa dos teus olhos,
Porque neles me perdi,
E, por puro encantamento,
À escravidão sucumbi.

Porque insistes em olhar-me?
Porque te atraem meus olhos?
Porque me prendem teus olhos?
Porque não sei ignorar-te?

Não sei que força me prende,
Quando buscas meu olhar.
Quando encontro o teu olhar,
Todo o meu corpo se rende...

Teus olhos são sol nascente,
Quando nos meus é manhâ,
Quando os teus são amanhã,
Os meus são pura semente.

E se olhas para mim
Do outro lado do mundo,
Do lado de cá do mundo,
Meu rosto fica carmim.

Que força é esta que une
As chamas do teu olhar
À calma do meu olhar,
Em luta pra ser imune?

Não posso negar meu olhos
Aos teus, ávidos dos meus!
Os meus, áridos de mim,
Fulguram entre os escolhos...

Não posso negar este elo,
É tudo o que posso dar-te!
Tudo o que posso pedir-te
É discrição no duelo.

Não olhes pra mim assim!
Não vês que o brilho dos teus
Choca com o brilho dos meus,
E, em clamor de clarim,

Denunciam o segredo
Dos teus olhos maré-cheia,
Na minha praia de areia,
Onde o mar acorda cedo...

Sem comentários:

Enviar um comentário