quinta-feira, 28 de maio de 2009

SIMPLICIDADE

Eu também gosto de...

POEMAS DE JOSÉ RIBEIRO ZITO
(bons demais para ficarem por desvendar!)

Há coisas que não entendo
Quando o poema se tranca
Nas portas estreitas do enigma.
Talvez por vergonha,
Talvez por presunçao,
Talvez por egoísmo,
Talvez por incapacidade de sonhar.
Decididamente não sou poeta
Das coisas por decifrar.
Gosto da água cristalina
Sem margens altas,
Sem tapumes nem buracos,
Sem correntes na corrente,
A subir descoberta,
Céu e lua em festa,
Sabendo que corre para o mar.
Gosto da rasura do gosto
Das palavras soltas,
Despidas, silenciosas, mas claras,
Como claro é o luar
Quando se despe em Agosto.
Gosto do poema cru,
Ao natural, límpido, pintado
Da cor viva dos sentidos
E de corpo inteiro, se pode dar,
Numa entrega sem limites.
Enigmas nos versos, não,
Pois os versos são para desfolhar
Na pele beliscada de raíz.
Na rasura do chão deitado,
O poema acorda e pode descolar,
Quando no restolho do sonho
Apanha as asas soltas
Com letras de clarear o céu.
E rasante, levantado do chão,
Não pára de subir,
E a subida não tem fim.
Há coisas que sempre entendo
Quando o poema rasga o mistério,
Abre as portas com palavras,
Palavras despidas de lixo,
Palavras desempoeiradas,
Palavras lavadas de ser,
Palavras sem rasuras de alma,
Palavras sem enganos dos sentidos.
Coisas que no poema
Convidam a entrar sem medos
De logros vestidos de sombras.
Na rasura do chão acordado,
O poema é apenas a brancura
Deitada em palavras de ternura.

(AUTOR - JOSÉ RIBEIRO ZITO)

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