Quarta-feira, 18 de Abril de 2012

Paraíso


De sede
se faz o vínculo
que une esta Terra ao Céu

como

De seda
se faz o estímulo
que une o Teu corpo ao Meu

Terça-feira, 22 de Novembro de 2011

Esquecimento


escapo-me entre os teus dedos,
numa fluidez de pele incandescente
enquanto o meu beijo desce
e o desejo cresce
e o teu corpo esquece
o que a boca não diz.
nem é preciso.
sei que és feliz.

Sábado, 24 de Setembro de 2011


VINDIMA


Vinhas...
e as uvas tensas do mosto
quente,
maduras ao toque intenso
nosso,
e o vinho que escorria
doce,
sagrava de mel a cama
rubra
dos lençóis que desfolhavas
na apanha...




(da paixão)


a entrega faz-se
no egoísmo da pele.
nada de profundo
há nos sonhos:
os dedos não prendem
as areias dos momentos,
os beijos não gravam
as pedras dos sentimentos,
e o amor, ah, o amor!,
o amor é sede que queima,
nunca repleção serena
de chuva mansa
sobre a seda dos corpos
em fusão.
e breve, tão breve,
é a incandescência do tempo
se só nos move a paixão...

Sábado, 6 de Agosto de 2011


FRONTEIRAS ÍNTIMAS


Cada poro do teu corpo me responde
quando passo, em beijo quente e voo breve,
as fronteiras íntimas que dividem
dois desejos: o meu onda, o teu rochedo...

E molho-te de sede essa vontade
de me seres rítmico investir,
recuo, engulo, cerco e morro em espuma,
deslizo-te e desenho-te as texturas.

Cada areia que tece o nosso leito
é agora fogo aceso que nos traga
e nos queima em crescente de marés
até à doce erosão da inconsciência...

Terça-feira, 31 de Maio de 2011



DISPO-ME, POR PUDOR...

O teu corpo mostra-se,
em volúpia que iguala
a luxúria de sedas
e de pesados veludos...

Em descarada afronta,
tomas-me a mão
e fazes-me crer
na riqueza ostensiva,
na solidez do teu ceptro,
no brilho atractivo da tua pele,
quente, perfumada,
ungida de preciosos óleos
afrodisíacos...

Eu,
humilde na minha condição
de serva do meu senhor,
humilhada
pelos meus pobres andrajos,
dispo-me, por pudor...

Terça-feira, 17 de Maio de 2011




SOL(itude)





Um sopro de sol

é o que sinto

do beijo que em mim guardaste

há tanto tempo

como calor que fica

sozinho

sem as brasas que o amaram

ao vivo

ou a cores que o pintaram

perfeito.